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jueves, 22 de septiembre de 2011

4984.- VÍCTOR OLIVEIRA MATEUS


Victor Oliveira Mateus, é um escritor português, nascido em 1952, Lisboa.
É licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa, onde leccionou essa cadeira.
Publicou as obras em poesia : “Nas águas a luz suspensa”, Lisboa, 1998. “Movimento de ninguém”, Lisboa, 1999. “A noite e a voz”, Universitária Ed., Lisboa, 2001. “Pelo deserto as minhas mãos”, Coisas de Ler Ed., Carcavelos, 2004 e, em prosa: “Quando voltares”, Coisas de Ler Ed., Carcavelos, 2002; traduziu “Fragmentos poéticos”, Safo, Coisas de Ler Ed., Carcavelos, 2002. “Os mais belos poemas”, S. João da Cruz, Coisas de Ler Ed., Carcavelos, 2002.
No Dia Mundial da Poesia, 21 de Março, a editora Labririnto publicou a sua obra em Poesia «A irresistível voz de Ionatos», para assim comemorar o evento, no ano de 2009.
O autor dedica-se, hoje em dia, exclusivamente à escrita.
É membro da Associação Portuguesa de Escritores (A.P.E.) e do Conselho Geral da Revista Nova Águia e faz parte do Conselho Editorial da Editora Labirinto .


REGRESSO DE VICTOR OLIVEIRA MATEUS (traducción de Marta López Vilar)



“Partida”

Quando parti ninguém apareceu à beira da pista.
Quando parti as viagens eram coisa simples e banal,
e não este desejo de procurar um sentido para
a mágoa, uma clareira para a ausência, uma fonte
- minúscula que fosse – para saciar aquilo que
se mantém ininterrupta sede. Quando parti estavam

todos atarefados a viajar, mas de outro modo –
voracidade de prestamistas, esbugalhados olhos
onde o tempo é tão transacionável, quanto um futuro
hipotecado ou uma mera jante enferrujada. Quando
parti tiveram logo o cuidado de me avisar que a poesia
nunca salvara ninguém, que a procura das raízes

( bem como o entendimento de um passado não
acontecido) era coisa tão ridícula quanto obsoleta
para o riso alvar de muitos. Quando parti a buganvília
da moradia em frente estava esplendorosa e havia
um gato a furar a rede. Quando parti uma mulher
no prédio ao lado sacudia um pequeno tapete.

Acenou-me. Sorriu. Quando parti imaginei
o escárnio deles, os telefonemas duns para os outros,
as conversas. Quando parti ninguém apareceu
para se despedir, havia apenas: eu, um objetivo
incerto, o teu rosto a reflectir-se ao longe
e o sol a dar de chapa nas vidraças.


“Partida”

Cuando partí nadie apareció al borde del camino.
Cuando partí los viajes eran algo simple y banal,
y no este deseo de buscar un sentido para
la herida, un claro para la ausencia, una fuente
-por minúscula que fuera- para saciar aquello que
se mantiene como sed interrumpida. Cuando partí estaban

todos atareados viajando, pero de otro modo –
voracidad de prestamistas, ojos como platos
donde el tiempo es tan negociable como un futuro
hipotecado o una mera llanta oxidada. Cuando partí
tuvieron la delicadeza de avisarme de que la poesía
nunca había salvado a nadie, que la búsqueda de las raíces

(bien como conocimiento de un pasado no
ocurrido) era algo tanto ridículo como obsoleto
para la risa estúpida de muchos. Cuando partí la bungavilla
de la casa de enfrente estaba esplendorosa y había
un gato agujereando la red. Cuando partí una mujer
en el edificio de al lado sacudía una pequeña alfombra.

Me saludó. Sonrió. Cuando partí imaginé
sus escarnios, las llamadas telefónicas de unos hacia otros,
las conversaciones. Cuando partí nadie apareció
para despedirse, había tan sólo: un objetivo
incierto, yo, tu rostro reflejándose a lo lejos
y el sol dando de lleno en los cristales.








“Um doloroso nascer de si”

Grito no interior da paisagem. Grito e a convulsão
do verde arrasa as colinas em frente, confunde as áleas
dos pinheiros, onde outrora me sufocava e o meu olhar
se confundia como fardo de gestos em turbilhão. Invoco
todas as potencias benfazejas, protectoras dos caminhos

onde me perdia e cujas buscas nem sequer adivinhava.
Grito o impetuoso rumor da terra que inexoravelmente
tudo subjuga, pois igual é minha alma e aquilo que a cerca
(porque gémeos de origem e intacta substância) e assim,
ou talvez por isso, me nasço agora outro com o passado

de roldão e um futuro que não vislumbro. Não vislumbro
nem para tal inquietação me sobra. Grito esta mudança,
esta aparição expressa em meus lábios cerrados –
misto de presságios, de medos e assombros inesperados.


“Un doloroso nacer de sí”

Grito en el interior del paisaje. Grito y la convulsión
del verde arrasa las colinas de enfrente, confunde las avenidas
de los pinos, donde antes descansaba y mis ojos
se confundían con cargas de gestos en torbellino. Invoco
a todas las potencias benefactoras, protectoras de los caminos

donde me perdía y cuyas búsquedas ni tan siquiera adivinaba.
Grito el impetuoso rumor de la tierra que inexorablemente
todo subyuga, ya que igual es mi alma que aquello que la cerca
(son gemelos de origen e intacta sustancia) y así,
o tal vez por eso, nazco otro con el pasado

en tropel y un futuro que no vislumbro. No lo vislumbro
y ni me sobra para la inquietud. Grito este cambio,
esta aparición expresa en mis labios cerrados –
mezcla de presagios, miedos e inesperados asombros.









“Regresso”

Desço com a sofreguidão de um inquiridor.
Percorro as ruas, os jardins, as margens do rio.
Detenho-me nos cibercafés de onde me vinham
as farpas, nos bares que por rotina se te abriam
para afogares circunstanciais desvarios e essa

solidão de alma onde nunca me deixaste entrar –
meu punho sempre cerrado ante uma porta
que raramente se abria, uma porta só com saída,
dando lastro à minha fuga, ao agravo da recusa,
à perfídia da verrina com que afinal sempre

me haviam servido, sem que eu o suspeitasse.
Desço com a sofreguidão de quem se recupera,
de quem regressa a casa: incomensurável solo
uterino que me alimenta e me compraz. Desço-me
caudal de frustrações e alegrias, de vazio e pleno –

vida que sempre retomo e não desisto. Desço-me
livre, além do turbilhão, além do apenas instinto
e costume. Desço-me finalmente eu, sem escolhos
nem frustes ritos a barricarem-me…Desço-me ao topo
do tudo, átomo de mim na mais aérea vastidão.


“Regreso”

Bajo con la avidez de un detective.
Recorro las calles, los jardines, las márgenes del río.
Me detengo en los cibercafés de donde provenían
las espinas, en los bares que por rutina se te abrían
para ahogar circunstanciales desvaríos y esa

soledad de alma donde nunca me dejaste entrar –
mi puño siempre cerrado ante una puerta
que raramente se abría, una puerta sólo de salida,
dando lastre a mi fuga, al agravio del rechazo,
a la perfidia de la acusación con la que al final siempre

me habían servido, sin que yo lo sospechara.
Bajo con la avidez de quien se recupera,
de quien regresa a casa: inconmensurable suelo
uterino que me alimenta y me complace. Caigo en
caudal de frustraciones y alegrías, de vacío y plenitud -

vida que siempre retomo y no rechazo. Caigo
libre, más allá del torbellino, más allá del simple hábito
e instinto. Caigo finalmente, sin obstáculos
ni ritos ordinarios derrumbándome…Caigo al extremo
de todo, átomo de mí en la más aérea vastedad.




http://www.ojosdepapel.com/Index.aspx?article=4085