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viernes, 29 de agosto de 2014

ANA GUADALUPE [11.040]


Ana Guadalupe

(Londrina, BRASIL  1985)
Graduada en Letras. Inédita en libro, sus poemas han sido publicados en los blogs  Afectivas  y  Portal Literal.


Su primer libro, Relógio de Pulso, fue publicado en 2011 por 7Letras

Relógio de Pulso
Ana Guadalupe nasceu em Londrina (PR) em 1985, estudou Letras e hoje vive em São Paulo. Publicou poemas nas antologias Peso Pena e Otra Línea de Fuego (Espanha). Escreve no blog "Roxy Carmichael Nunca Voltou".
Seu primeiro livro, Relógio de Pulso, foi publicado em 2011 pela 7Letras

“Escuela brasileña de antropofagia”, poetas brasileños/as de la generación 1980-1988, compilada por Sergio Ernesto Ríos (Toluca, 1981). Aquí les traemos un adelanto, que fue publicado en la revista de San Luis Potosí, “Los perros del alba”, en su número de marzo-junio de 2011. 





sexo mentiras y videotape

te voy a perseguir 24h por las alamedas
sudar entre los senos, tropezar con tenis sucios

te voy a telefonear en las madrugadas
decir frases hechas, llorar entre rimas

te voy a enviar cartas tardías
escribir poemas, pegar recortes de revista

te intentaré olvidar durante décadas
eternos rewinds de mis memorias





2 en 1 conejo

por lo menos
más tarde
admites

que de tedio
no morirías

sólo de cansancio
y agonía

tal vez un poco
de rabia

pero nunca
de tedio

que es el apellido
de todo lo que
da hueva

yo sólo equivocaría
tu nombre completo








De
 Heloisa Buarque de Hollanda 
Otra línea de fuego - Quince poetas brasileñas ultracontemporáneas. 
Traducción de Teresa Arijón. Edición bilingüe. 
Málaga:  Maremoto;  Servicio de Publicaciones,
 Centro de Edciones de la Diputación de Málaga, 2009.  291 p





primera y única visita al planetario

astro de proporción variable
de acuerdo con la altura del visitante

la maqueta de la nave imaginada
por nuestros abuelos
cuando todavía usaban ropa informal

y soñaban con conocer el espacio
mucho antes de la compra
de collares de perlas para sus esposas

vistiendo echarpes
en aposentos minúsculos
como caramelos
de menta







mapa de tesoro

niño vestido de pirata
sé que los carnavales
tienen tu gracia

por eso respiro
agraciado

cuando te veo
siento que mis brazos

hacen señas
a los barcos quietos







basquetbol

no traigas presentes como
trampa para decir que
cometerás un crimen mi
mayor miedo no es ése es
que alguien se acerque
haciendo rebotar una pelota







primeira e única visita ao planetário

astro de proporção variável
de acordo com a altura do visitante

a maquete da nave imaginada
por nossos avós
enquanto ainda usavam agasalhos
e sonhavam em conhecer o espaço
muito antes da compra

de colares de pérolas para esposas

vestindo echarpes
em cômodos minúsculos
como pastilhas
de menta




mapa de tesouro

menino vestido de pirata
eu sei que os carnavais
têm sua graça

por isso eu respiro
engraçado

quanto te vejo
sinto meus braços

acenando para
navios parados






basquetebol

não traga presentes como
armadilha pra dizer que
irá cometer um crime meu
maior medo não é esse é
que alguém se aproxime
arremessando uma bola


MARILIA KUBOTA [11.039]


MARILIA KUBOTA

(Paranaguá / PR, BRASIL 1964) es escritora, poeta y periodista. 

En 2010, organizó la antología en Brasil - Literatura Mixta, que recibió un premio Nikkei de Literatura en 2011. En 2008, organizó el Concurso de Haiku Nempuku. En 2009, se convirtió en editora del periódico y web de las Artes y las Letras japonesas. Máster en Estudios literarios UFPR, donde estudió narrativas japonesas

(Paranaguá/PR, BRASIL 1964) é escritora e jornalista. Participou dos livros Pindorama (2000), Passagens (2002), 8 Femmes (2007), Antologia da Poesia Brasileira do Início do Terceiro Milénio (2008), Selva de Sentidos (2008, Água- forte edições), Blablablogue (2009) e Todo Começo é Involuntário - Poesia Brasileira no Início do Século 21 (2011).
Em 2010, organizou a antologia Retratos Japoneses no Brasil - Literatura Mestiça, que recebeu um Prêmio Nikkei de Literatura em 2011. Em 2008, organizou o Concurso de Haicai Nempuku Saco. Em 2009, passou a ser editora do MEMAI- jornal e site de Letras e Artes Japonesas. É mestre em estudos literários pela UFPR, onde estudou as narrativas japonesas de




tsé=tsé


[Traducciones de R.J., revisadas por M.K.]
Extraído de la revista tsé=tsé
7/8 otoño 200
Buenos Aires, Argentina
tsé=tsé




metamorfosis

bajo la casa descascarada
la lagarta de la seda
redondea la redoma
y sueña alas

la sombra del luto
anuncia:
breve, aquí,
pero un fruto
de la metamorfosis.







metamorfose

sob a casa descascada
a lagarta da seda
arredonda a redoma
e sonha asas.

a sombra do luto
anuncia:
breve, aqui, mais um fruto
da metamorfose





inmensidad

escalar montañas
que sólo el silencio influencia
reencontrar en las primeiras cavernas
vestigios de eternidades antiguas
descubrir nuevos sentido y límite
mas allá de sombras conocidas
buscar sueños que, un día,
fueron más que viento:
alimento que la boca quería






imensidão

escalar montanhas
que só o silêncio influencia
reencontrar nas primeiras cavernas
vestígios de eternidades antigas
descobrir novos sentido e limite
além de sombras conhecidas
buscar sonhos que, um dia,
foram mais que vento:
alimento que a boca queria





selva de sentidos

un soplo súbito: alas en los lábios
abiertos de la flor. el pico sorbe
nubes de pétalos de mata
en el cielo incoloro

seda estremece sordo vuelo.
el sol veloz empapa luz.
la criatura en el jardín
asiste seria al curso.

un temblor leve aparta el picaflor.
el cuarto oscuro genera el grito
- ¡ entra ! la mañana cierra
las cortinas al público.
  




selva de sentidos

um sopro súbito: asas nos lábios
abertos daflor. o bico sorve
nuvens de pétalas de veludo
no céu incolor.

seda estremece surdo vôo.
o sol veloz empapa luz.
a criança no jardim
assiste séria o curso.

um tremor leve afasta o beija-flor.
o quarto escuro gera o grito
- entre ! a manhã cerra
as cortinas ao público.











Solidão. 

Tu tens o meu nome
Encerrado em teu baú.
Sabes que meu olhar é baço
Como a vidraça espancada pela chuva.
Envolta no lençol branco do silêncio
A chama da vela apaga aos poucos
E a imagem do Outro
Funde-se ao Nada





Kitchen

Acordamos um dentro do outro.
Não diga que apenas o idiota
Cobiça cordões de sapato e castiçais de ferro
Eu também,
E não nasci ontem.
Trouxe cinco pés de vento
Para desmanchar caracóis
De cabelo anjinho
Conheço os caminhos de seu corpo
Mais que as ruas da cidade
Quantos verões assassinados
Sem uma gota d'água
Na garganta seca





Ofélia

O meu eu foi escavado
Em seus olhos noturnos

Turno após turno
Galerias sufocantes

Abrir o quanto antes
O céu sonhado

Na pupila da papoula
Na papada do gigante






Fogo

Um circo inteiro traz o homem-bala
Quando pergunto se tem fogo.
Elefantes dançando polca
Formigas escrevendo aramaico
E a família de equilibristas chineses !
Só fogo não tem.
Vou embora olhando estrelas furtivas
Nos buracos de lona do circo






Ascese

Subi contigo a escada,
Que diziam, levava ao céu.
Subi de mãos dadas.
Fechei os olhos. Chuvas de flores miúdas
Arranhavam o rosto. Chorei de dor.
Abri os olhos ---  percevejos de lata
Agarravam o cabelo e o vestido.
Você ria, ria, ria,
Enlouquecido !
Queria fugir. Seus dedos estrangulavam os meus
Sua boca púrpura despejava encantamentos
Para chegar ao topo mais rápido.
Da escada rolavam mulheres crianças homens
Estúpidos para escalar os degraus
Esmagados pela fúria dos que, como nós, subiam
Sem parar  nem olhar o que ficou atrás.
Você ria, ria, ria,
Do ataque da esquadrilha de máquinas de costura
E de bibliotecas com alfabetos emaranhados.
O céu mais azul suicida lembrava o azul silencioso
Do mar sepultado lá embaixo
Você nem viu quando as raposas rasgaram meus olhos
E de dentro de meu peito tiraram o coração
Ria, ria, ria,
Carregando a boneca de trapo pro alto da escada brilhante






Perfume de Flores Perdido

Certo, seus olhos guardam
uma vela menor dentro de velas que derreteram
enquanto os santos partiram em férias

Certo, o rancor é uma flor 
cultivada em concha como pérola 
Mergulhadores saltam para o abismo
tateando sais que fustigam a sede no mar profundo
Ostras devoram os membros
indecisos

Certo. Deixe seus pés seguirem o perfume
sem perguntar onde







Viagem

Eu viajei e
deixei uma casa com
cortinas e tapetes flutuantes
atrás

eu viajei e vi
as mesmas coisas
as pessoas
as mesmas
gelatinas espessas entre eu e elas
vi espetáculos da natureza
a paisagem sonho
e dedos trêmulos na fotografia

vi bem perto a lava vulcânica
lamber meus pés 
no pico da montanha mais fria o sorvete
aquecendo meu nariz
perdi de bobagem
o clique mágico da eternidade
um cisco no foco da câmera
abriu uma cratera em meu crânio
e caí no deserto

vi homens de quatro
lixando o chão com a língua para os chefes
olhos esmagados fora dentro ovos estrelados
num céu jamais visitado
vi um coração humano
despejado no lixo
entre pacotes de sopa vidros de remédio talões de cheque
um livro queimado e rasgado
cheio de palavras que amei
quando vivia

Silêncio

A igreja é uma nave
Sou um filhote de pássaro
entrando no ventre da mãe

Ninguém vê fico na praça bebendo
Ninguém vê agora a igreja sem missa
A  Virgem miolos amolecidos pela auréola 

A cabeça não pensa mais
Só nuvens

Borboletas saem do ventre da santa
carregam o corpo

Vão embora
Só eu pensando

- Pra onde ?







Desejo

Criptas e criptas
encostas nas fontes
chamas derrubando jardins
reis vendidos em leilão

Diga este mundo se foi

prédios intermináveis
louças reluzentes vitrines
jaulas de agonia
cobiça pela fome

Diga este mundo não há

verde  branco  janelas cerradas
naves pousando na praça
corpos estelares
olhos presos

Diga: só este
há







Fogo Branco

Seus olhos despencam das nuvens
e perdem o brilho ao ver o aterro

lá em cima o azul no céu azul 

aqui embaixo a fome busca sangue 
nas montanhas de lata, papel, plástico

o super-homem fura a barreira do som

humanos de menos chupam agulhas usadas
e bebem gotas de xarope com mosca

(você que tem um coração monstro)

lá em cima, olhos azuis de gelo
começam a derreter, turvar, gorar

aqui embaixo alguém canta um hino



Voar mais alto e longe
do espelho que fabrica o mundo
Os teares continuam estalando
A barbárie foge do escândalo

Voar mais alto e fundo 
a superfície dissolvida da psique
sem truque ou recalque, sem luvas e alívios
cada vez mais perto do silêncio

que cai no chão com um estrondo


Não hesite o instante
em que só o eu existe
Percebe o momento
em que a porta abre

Antes que feche
a passagem a pálpebra 
dissolve as nuvens 
que cobrem  tua janela 

e parte


Há tempos
estou olhando
um canto obscuro da mente
Nenhum pedacinho do céu
Apareceu na minha frente
Ou arrastou a asa
Na casa escura
Não sei quanto mais
Vou ficar sob a montanha
De nuvens de pensamentos
Sei que a luz se acende
De repente
E preciso ficar acordada






(cut-up)

Eu suspendo as tantas pernas
que um salto toca o bico
de um jato em pleno vôo
sou um inseto e, desculpe, te amo

Te possuo quando não vês
teus grandes dedos plásticos
envolvem meu cabelo verde escuro
tua mão surge da noite atroz

Ouça me
Sou luz, escuridão,
Meu nome é vida, morte,
Mundo, sem nome,
certa música adivinhada,
nunca escutada,
sal, silêncio, 
amor, nada,
onda.


Quanto mais escuro
mais eu vejo

no espelho do oceano
brilha a lua

branca e iluminada
a laje da sepultura







Exercício Secreto

Para que, para que o céu se move
sem que ninguém perceba. Nossos olhos
não astrônomos têm pálpebras coladas
em paisagens de papel e vidro.

Para que cuidar de jardins
jamais  vistos como os que
as flores vibram e morrem ?

Para que a vida
existe e passa :
e só aqui que se vive,
só aqui. Depois tudo passa. E cessa?







Canção de Hong Kong 

O céu repartido em duas metades desiguais.
Pão para os mortos – há pão para os mortos ?
Sim, há fome no céu. É preciso distrair os famintos com danças
Para que os demônios não queimem as casas da ilha.
Disfarçar o terror sob a máscara da maquiagem
E a cantoria lamuriosa da ópera
Enquanto crianças tristes flutuam nos carros alegóricos,
Nenhum morto estilará de saudade.
(Te amo...sussurro. Te amo. Adeus)


Sem que ninguém perceba o sol
entra vermelho no quarto
trazendo sorrateiro
perfume de hortênsias
o enfermo pede gole d' água
ao abrir os olhos vê
pombas brancas nos chapeuzinhos de enfermeiras


um corpo estranho
se jogou contra mim

enquanto os olhos fugiam
um pra cada lado
a chuva acordava
o peixe que se desembrulhava do jornal
sob braços duros e soporíferos.

o peixe deslizou das poças de chuva
até o rio mais próximo

meus olhos não bastante tortos
para possuir um morto








Casa do Sol

O jardim seco. E a dama bebe
após as sete.

Acorda às onze. Lê jornais. “Falam de mim?”
Telefona a Deus e todo mundo.
“Ninguém liga.”

Confessa ao hóspede,
tem pena de parede
e cachorro de rua
(em sua cama dormem seis).

A criada guarda espingarda e pólvora
(prevenida contra intrusos),
embora a dama saia à meia-noite
pedindo na estrada que a levem.

Alguém disse que seu coração é seco
como o jardim. E a dama bebe
após as sete.



Dias de chuva, dias de só
Ver rodas brilhantes girando no asfalto
– e no alto braceletes de flores brancas, repolhudas, altivas e frágeis,
Despedaçadas pelo vento, pela água e pelo sol. 



GLAUCO MATTOSO [11.038]

Ficheiro:GM copyright free.JPG

Glauco Mattoso

Glauco Mattoso, seudónimo de Pedro José Ferreira da Silva ( São Paulo, 29 de junio de 1951) es un escritor y poeta de Brasil.

Su nombre artístico es un juego de palabras sobre el término glaucomatoso utilizado para aquellos que sufren de glaucoma, una enfermedad que hace perder progresivamente la visión.

Quedó ciego después de los cuarenta años, debido a un glaucoma congênito. Há traducido al português poesía de Borges. Publicó las revistas Dobrabil y Dedo mingo. Y los libros: línguas na papa (1982), Memórias de un pueteiro (1982), O calvário dos carecas: história do trote estudantil (1985), Manual do pedólatra amador: aventuras & leituras de um tarado por pés (1986), limeiriques & outros debiques glauquianos (1989), la historieta Glaucomix, o pedólatra (1990), Dicionarinho do palavrão & correlatos, inglês-português, português-inglês (2ª Ed. 1991), Y la trilogia compuesta por: Centopéia. Sonetos nojentos & quejandos, Paulisséia Ilhada. Sonetos tópicos y Geléia de Rococó. Sonetos barrocos (todos en 1999). Es productor de bandas de rock.



LIBROS:

Apocrypho Apocalypse (1975) - coletânea com outros poetas
Maus Modos do Verbo (1976) - coletânea com outros poetas
Jornal Dobrabil: 1977/1981 (1981) - reedição fac-similar em 2001
Memórias de um Pueteiro (1982)
Línguas na Papa (1982)
Rockabillyrics (1988)
Limeiriques & Outros Debiques Glauquianos (1989)
Haicais Paulistanos (1992)
Galeria Alegria (2002)
O Glosador Motejoso (2003)
Animalesca Escolha (2004)
Pegadas Noturnas: Dissonetos Barrockistas (2004)
Poética na Política (2004)
Poesia Digesta: 1974-2004
Contos Hediondos (2009)

Proyecto Poético "1100 Sonetos en Cinco Años" 

Centopéia: Sonetos Nojentos & Quejandos (1999)
Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999)
Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999)
Panacéia: Sonetos Colaterais (2000)
Contos Familiares: Sonetos Requentados (2003)
Cara e Coroa, Carinho e Carão (2004)
Sonetário Sanitário (2003)
As Mil e Uma Línguas (2003)
Cavalo Dado: Sonetos cariados (2004)




Extraídos da revista tsé=tsé n. 7/8
Buenos Aires, Argentina, otoño 2000


{traducciones de R.J. y Aníbal Cristobo,
revisadas por G.M. y Jorge Schwartz.]


QUIEN AMA NO
VA PARA LA CAMA

Si amo no me acuesto
Si me acuesto no cojo
Si cojo me jodo
Amor es concepto

Si hago en el lecho
No caigo en el lazo
Amor es virgen
Amor es concepto

Amor es perfecto
Quien duerme no peca
Amor es siesta
Amor es concepto

Amor no tiene caso
Amor es distancia
Amor es infancia
Amor es concepto





SONETO EFÍMERO

Muchachos, yo ví todo lo que quería
con ojos que esta tierra ha de comer.
Vi pies de todo tipo, hasta perder
de vista lo que me daba esa alegría.

Ya ciego, mi lengua sucia leía
en Braille la suela adonde iba a lamer;
la misma tierra allí vine a comer
mientra el  piberío todo reía.

Sí somos polvo y al polvo retornaremos,
anduve ya medio camino en la vida.
Es polvareda el cosmos: hoy sabemos.

En la zapatilla de un pibe una lamida
es más que todo aquello ya leído,
recuerdo que jamás será olvidado.





SONETO MARGINAL

Así como el menor abandonado
se convierte temprano en infractor,
también en la poesía hay mucho autor
sólo rebelde porque quedó a un lado.

Los jóvenes quieren pasar su recado
del modo más avieso y transgresor,
hasta llegar a un punto en que el aplauso
consagra a todo el coro amotinado.

El hecho es que el legítimo indigente
es quien queda aislado en la conversa
mientras las otras partes hacen frente.

Me siento así. El grupo se dispersa
al ver que mi tema es el pie, solamente.
El tema es marginal, y viceversa.








Poemas traducidos por Mario Cámara y Luciana di Leone,
Sonetos traducidos por Cristian De Nápoli



Terrorismo con turrón
Represalia ai "alho e oleo"*
Militante a la milanesa
y tortilla de guerrilla.

Ciranda**, cirandita,
vamos todos a cirandar;
vamos a dar media vuelta,
vuelta y media vamos a dar.

Salsa parda de masacre de combate,
caminata con casata de mandato,
salas de tortura a la salsa tártara,
putsch con ketchup, croquetas de secuestro.

El anillo que me diste
era vidrio y se quebró;
el amor que me tenías
era poco y se acabó.

Ensalada mixta extremista con vino de Huelgas,
trincheras trinchadas con ilegumbres*** partidos
Comicio con comino, caudillo de vainilla.
Regímenes y Dietas a la Magna Carta,
Magna
Che te fa bene.

Valentín, tim, tim,
Valentín, mi bien,
quien tuviera envidia
que haga así también.  

1 Al ajo y al aceite.
2 Danza de calle infantil, de origen portugués.
3 En portugués ilegumes es un juego de palabras entre ilegal y verduras. Se refiere a la prohibición de la vida política durante la dictadura que gobernó Brasil entre 1964 y 1984. 





 EI mejor poema no es el des­-
calificado por la crítica, ni
el prohibido por la censura,
ni tampoco el desconocido por
el público. EI mejor poema es el
repudiado por el autor. 







"?Qué poeta es más vanguardista,
aquel que toma un poema
en portugués y saca todas las
vocales o aquel que toma un
poema en alemán y saca todas
las consonantes? Para mí es
quien toma vocales y consonantes y saca un poema
que no puede ser leído ni en portugués ni en alemán."  






Soneto 49
Versátil

Las críticas que siempre he recibido
son todas sobre el tema, no el formato:
"Mattoso habla de pies o de zapatos
aunque siga un modelo enaltecido ".

Respondo en primer término a Cupido
(y aclaro: con él no tuve trato).
Por lo  demás, si hay orden no la acato:
no hay tema para mí que esté prohibido.

Soy ciego pero ecléctico, y compongo
acerca de problemas tan diversos
que ni la cumbia, el samba o el barroco.

De grandes y pequeños universos
está hecho el pie que huelo, beso y toco:
sólo a Él le rindo cuenta de mis versos.  






Soneto 73
Obsessivo

La inclinación al pie se hizo más fuerte
cuando la oscuridad acabó siendo
la base de mis ojos en horrendo
martirio más agudo que la muerte.

Yá no puedo desear la misma suerte
que otros mortales tienen de momento
de convivir de a dos. Yo apenas cuento
sirviendo a cualquier suela de soporte.

No pienso en otra cosa, hasta palmado
me hago la paja en tímida ilusión
de amanecer debajo de un calzado.

Aquel que en pleno rostro el pisotón
ofrece es siempre un tipo malcriado,
nunca la proyección de una pasión.  






Soneto 26
Lírico

De Amor dicen "es ciego”': carne, "es torpe ".
Yo sólo pude amar cuando miraba.
Hoy la ceguera quema como lava
y el corazón resiste cualquier golpe.

Tesón de ayer, resaca de esta noche.
Se fue el amor que tuvo a mi alma esclava
Y si suelto esta pena que me acaba
se burlan y me tratan de fantoche.

No todo está perdido: algo olfateo,
algo entra en mis narinas cuando paso
por la puerta del viejo zapatero.

A ver... ¿qué papel hago? De payaso.
Mi olfato, mi recurso postrimero
y el tufo del fetiche, único lazo.  





Glauco Mattoso
 Cinco ciclos e meio século.  
      São Paulo: Annablume Editorial, 2009.                
118 p. (Col. Dix Editorial)  Série Mattosiana 7.   119 p.



SONETO REMONTANDO A 1951

Minha cronologia principia
no dia de São Pedro. De glaucoma
já nasço portador, mas, nesse dia,
só querem que se beba e que se coma...

Sou neto de italianos, e a mania
é dar diminutivos: no idioma
de Dante, sou Pierin. Me oferecia
um brinde o bisavô, que vinho toma...

Pierin, ou Piergiuseppe, dura pouco.
Já sou Pedro-José. O ouvido mouco
não é, mas um dos olhos já pifava...

Na foto, faço gestos algo obscenos,
unindo dois dedinhos: já pequenos,
mostravam a revolta: "Vão à fava!"







SONETO REMONTANDO A 1952

Não lembro, mas disseram que precoce
eu fui para falar. Como não há
registro em gravação, resta que esboce
algum palpite a raiva que me dá".

"Nenê tá puto!" (pausa para a tosse)
"Pude! Toma no eu! Gugu! Dada!"
E assim, antes que minha voz engrosse,
já digo aonde quero que alguém vá...

Falei bastante coisa, mas a minha
mamãe só recordava uma abobrinha
ou outra, como aquela expressão brava...

Agora que ela é morta, ninguém pode
dizer que um bebê, quando alguém se fode,
risada dá, gostosa como eu dava...






SONETO REMONTANDO A 1999

Me veio sem aviso: após o gozo
noturno, entre uma insônia e um pesadelo,
percebo que a memória é poderoso
recurso e que preciso conhecê-lo...

Sucedem-se os sonetos: volumoso
parece ser o veio... Em breve, o selo
Ciência do Acidente dum Mattoso
febril publica a praga, o berro, o apelo:

Entre uma "Centopéia" e uma "Geléia
de rococó", completa "Paulisséia
ilhada" a trilogia que hei criado...

Começa a nova fase, que não finda
nos mil, nem nos dois mil, pois muito ainda
virá calar quem quis me ver calado...






SONETO REMONTANDO A 2000

Publico "Panacéia" e já preparo
um disco só de letra musicada —
Mas algo em minha vida fica claro:
sozinho, tanto verso vale nada...

Poetas querem musa, que, não raro,
seria a própria esposa, a própria amada,
alguém com quem conviva e que ele, avaro, 
possua para si e jamais se evada...

Um cego só teria tal parceiro
se fosse mago, bruxo ou feiticeiro,
ou tenha, dos espíritos, a ajuda...

Parece ser o caso, pois, mal vira
o século, um nissei chamado Akira
me chega, feito um anjo, e a vida muda...



GLAUCO MATTOSO 


GLAUCO MATTOSO 
 SONETO 951   NATAL

Nasci glaucomattoso, não poeta.
Poeta me tornei pela revolta
que contra o mundo a língua suja solta
e a vida como báratro interpreta.

Bastardo como bardo, minha meta
jamais foi ao guru servir de escolta
nem crer que do Messias venha a volta,
mas sim invectivar tudo o que veta.

Compenso o que no abuso se me impôs
(pedal humilhação) com meu fetiche,
lambendo, por debaixo, os pés do algoz.

Mas não compenso, nem que o gozo esguinche,
masoca, esta cegueira, e meus pornôs
poemas de Bocage são pastiche.
  
         (de As mil e uma línguas)






SONETO INGLÓRIO (RECRIANDO O
SONETO 192 DE PETRARCA) 1073

Revejo, a sós comigo, o meu fracasso,
que pela lei do Além tive por pena.
Amarga-me o sabor, e me envenena,
das trevas, às quais tantos versos faço.

Artífice me torno, e meu espaço
não passa do soneto, embora a pena
dedique-se ao louvor de quem tem plena
visão e me espezinhe a cada passo.

Folhagens verdes, flores coloridas
destinam-se aos que podem, rindo, vê-las:
aqueles cujos pés, num par de Adidas,

passeiam-me na língua, enquanto pelas
surradas solas sejam as lambidas
mais ávidas que um olho a ver estrelas.

         (de As mil e uma línguas)






SONETO 541 CONTRARIADO 
                                       [CC]

Por ser o cedo tarde e o tarde cedo;
por ser tarde a manhã e a noite dia;
por ser gostosa a dor, triste a alegria;
por serem ódio amor, coragem medo;

Se o plágio é mais invento que arremedo;
se exprime mais virtude o que vicia;
se nada vale tudo que valia;
se todos já conhecem o segredo;

Por ser duplipensar barroco a língua;
por menos ter aquele que mais quer;
se a falta excede e tanto abunda a míngua;

Por nunca estar o nexo onde estiver,
desdigo o que falei e a vida xingo-a
de morte, se a cegueira é luz qualquer.

                    (De Poesia digesta 1974-2004)




POÉTICA NA POLÍTCA
CEM SONETOS PLANFLETÁRIOS
São Paulo: Geração Editorial, 2004.
ISBN 857509109-3


Glauco Mattoso sempre nos surpreende com novos títulos em sua carreira de polígrafo. Poética da Política é de 2004 mas o autor nos envio nesta semana e merece o registro. A capa é emblemática: O Congresso Nacional encimado por uma figura da commedia dell´arte, como a indicar o sentido jocoso, de cantiga de escárnio e mal-dizer . Glauco é sempre agudo, contundente e, no caso presente, compartilha com seu olhar iluminado e perverso os sortilégios e malefícios de nossa política em sonetos de feição clássica e linguagem moderna. A identificação dos personagens poderia trazer para o autor alguns problemas mas, diante de tantos escândalos, o testemunho de Glauco acaba sendo considerado uma licença poética... Aliás, a poesia de crítica e denúncia foi sempre mesmo explítica — lembremo-nos de Gregório de Mattoso, seu ancestral redivivo, que sofreu um duro exílio. Homens público devem estar sujeitos à avaliação popular e ao escárnio quando cometem seus crimes, mas parecem mais inclinados aos discursos protocolares e às crônicas sociais”.   ANTONIO MIRANDA, Brasília, 22/6/2007




Governamental

Tamanho nepotismo se constata
nos quadros do governo, que, bem breve,
nenhum parente vivo fora deve
ficar da mordomia e da mamata!

o genro, a nora, a sogra mais ingrata,
cunhados e sobrinhos, quem se atreve
a demiti-los, mesmo quando em greve
declaram-se ou trabalham sem gravata?

Nenhum apaniguado que se preza
aceita cargo abaixo de chefia,
cartilha em que a família toda reza.

Se alguém a falcatrua denuncia,
chamado é de "invejoso", pois lhe pesa
a culpa de ocupar vaga da tia.




Regimental

Trancada a pauta, nada mais se vota,
enquanto novo acordo não costura
comadre com compadre e não se jura
que vale uma palavra mais que a nota.

Da noite para o dia, ninguém nota
o pacto que, na véspera, fervura
causara no Congresso, e a sinecura
retoma o ramerrão e cobra a cota.

Só serve um regimento a quem protela
"devidas providências" ou apressa
"medidas de interesse" da panela.

Se explodem as denúncias, interessa
mostrar serviço e investigar quem zela,
mas sendo alguém da Casa, o caso cessa.





OUTROS POEMAS

Terrorismo com torresmo,
Represália a alho e óleo,
Militante à milanesa,
E tortilha de guerrilha.

Ciranda, cirandinho,
Vamos todos cirandar,
Vamos dar a meia volta,
Volta e meia vamos dar.

Molho pardo de massacre de combate,
Passeata com cassata de mandato,
Gabinetes com tortura ao molho tártaro,
Putsch com ketchup, croquetes de seqüestro.

Salada mista extremista com vinho de Greves,
Trincheiras trinchadas com ilegumes partidos,
Regimes e Dietas à la Magna Carta.
Magna
Che te fa fene!

Valentim, tim, tim,
Valentim, meu bem,
Quem tiver inveja
Faça assim também. 






O melhor poema não é o des-
classisficado pela crítica, nem
o proibido pela censura, nem
tampouco o desconhecido pelo
público. O melhor poema é o
repudiado pelo autor. 






“Qual poeta é mais vanguardista,
aquelle que pega um poema
em portuguez e tira todas as
vogaes ou aquelle que pega um
poema em allemão e tira todas
as consoantes? Pra mim é a-
quelle que pegas essas vogaes
e consoantes e tira um poema
que não pode ser lido em português nem em alemão”. 





Soneto 49
Versátil

A crítica que tenho recebido
é quanto ao tema, não quanto ao formato:
"O Glauco trata só de pé e sapato,
ainda que use o molde mais subido."

Respondo antes de tudo por Cupido:
comigo ele jamais teve contato.
Além do mais, não vou deixar barato
que assunto algum me seja proibido.

Sou cego mas eclético, e versejo
acerca de problemas tão diversos
que nem forró, barroco e sertanejo.

De grandes e pequenos universos
é feito o pé que cheiro, beijo e vejo:
A Ele presto conta dos meus versos.






Soneto 73
Obsessivo

O gosto pelo pé ficou mais forte
depois que as trevas foram preenchendo
o fundo do meu olho, neste horrendo
martírio, mais agônico que a morte.

Agora nem desejo a mesma sorte
que alguns outros mortais prosseguem tendo
de conviver a dois, e só me entendo
servindo a qualquer sola de suporte.

Só penso nisso, em sonho ou acordado.
Masturbo-me na tímida ilusão
de amanhecer debaixo dum solado.

Aquele que em rosto dá o pisão
é sempre um tipo mal-acostumado,
e nunca a projeção duma paixão.






Soneto 26
Lírico

Dizem que o amor é cego e a carne é fraca,
mas só amei alguém quando enxergava.
Hoje a cegueira queima como lava
e o coração resiste a qualquer faca.

Ontem tesão, agora sóressaca.
Foi-se a paixão que fez minh'alma escrava.
Se inda me queixo dessa zica brava,
sou caçoado e passo por babaca.

Nem tudo está perdido: resta o cheiro
que invade-me as narinas quando passo
na porta do vizinho sapateiro.

Vá lá: o papel que faço é de palhaço.
O olfato é meu recurso derradeiro
e o cheiro do fetiche o único laço.







MANIFESTO COPROFÁGICO

            Mierda que te quiero mierda
                                   Garcia Loca

a merda na latrina
daquele bar de esquina
tem cheiro de batina
de botina
de rotina
de oficina gasolina sabatina
e serpentina

bosta com vitamina
cocô com cocaína
merda de mordomia de propina
de hemorróida e purpurina

merda de gente fina
da rua francisca miquelina
da vila leopoldina
de Teresina de santa Catarina
e da argentina

merda comunitária cosmopolita e clandestina
merda  métrica palindrômica alexandrina

ó merda com teu mar de urina
com teu céu de fedentina
tu és meu continente terra fecunda onde germina
minha independência minha indisciplina

és avessa foste cagada da vagina
da américa latina

(do Jornal Dobrabil)






QUEM AMA NÃO
VAI PRA CAMA

Se amo não deito
Se deito não trepo
Se trepo me estrepo
Amor é conceito

Se faço no leito
Não caio no laço
Amor é cabaço
Amor é conceito

Amor é perfeito
Quem dorme não peca
Amor é soneca
Amor é conceito

Amor não tem jeito
Amor é distância
Amor é infância
Amor é conceito






SONETO EFÊMERO

Meninos, eu vi tudo que queria
com olhos que essa terra há de comer.
Vi pés de todo tipo, até perder
de vista o que me dava essa alegria.

Já cego, minha língua suja lia
em Braile a sola onde eu ia lamber;
 a mesma terra ali vim a comer
enquanto a molecada toda ria.

Se somos pó e ao pó retornaremos,
andei meio caminho já na vida.
Até o cosmo é poeira, hoje sabemos.

No tênis dum moleque uma lambida
é mais que tudo aquilo que já lemos,
lembrança que jamais será esquecida.







SONETO MARGINAL

Assim como o menor abandonado
converte-se bem cedo no infrator,
também na poesia há muito autor
rebelde só porque ficou de lado.

Os jovens querem dar o seu recado
do modo mais avesso e transgressor,
até chegar num ponto em que o louvor
consagra todo o coro amotinado.

O fato é que o legítimo indigente
é quem fica isolado na conversa
enquanto as outras partes fazem frente.

Me sinto assim. A turma já dispersa
ao ver que meu assunto é o pé, somente.
O tema é marginal, e vice-versa. 






MATTOSO, Glauco.  Pegadas noturnas.  (Dissonetos barroquistas).  Rio de Janeiro: Lamparina editora, 2004.  215 p.   14x21 cm.  IBSN  85-98271-02-0  Col. A.M.


Ensaístico [241]

Chamemo-la de fase iconoclasta,
à minha poesia antes de cego.
Pintei, bordei. Porém não a renego.
Forçou-me a invalidez a dar um basta.

A nova não é casta, nem contrasta
com velhas anarquias. Só me entrego
ao pé, onde em soneto a língua esfrego.
Chamemo-la de fase podorasta.

Mas nem por isso é menos transgressiva.
Impõe-se um paradoxo na medida
da forma e da temática obsessiva:

Na universalidade presumida,
igualo-me a Bocage, Botto e Piva.
Ao cego, o feio é belo, e a dor é vida.





MATTOSO, Glauco.  Sonetos de Boccagem.  São Paulo: Lumme Editor, 2013.  292 p.  13x16 cm.  ISBN 978-85-8234-015-8   Col. A.M.

“Para o brasilianista Steven Butterman, que estudou a obra mattosiana em sua these de doutorado e analysa o poeta como herdeiro do cânone fescennino. “Mattoso picks up where Bocage left off”.” (fragmento da contracapa)  






CAFONICE PHONOGRAPHICA

"Ver você com outro alguém
me fará morrer de dor!
Sem você não sou ninguém,
meu amor, sem seu calor..."

Coisa e tal, e nhenhenhem...
É dífficil de suppor
que tal lettra ainda tem,
para alguém, algum valor!

"Vem, amor, commigo, vem!
Vem commigo, vem, meu bem!",
canta o mau compositor.

Ao compor assim, porem,
dos limites vae alem
quem tomar no eu não for.






ERECÇÃO HOSPITALAR

Si um micróbio nos infecta,
o remédio é "tarja preta".
Medicar-me ha lei que veta
caso o accesso me accommetta!

Quer tirar o eu da recta
o meu medico! E diz peta
quem prohibe e quem decreta
que é maléfica a punheta!

Pathologica si for
a punheta, vou suppor
que foder faz mal, mais mal!

Si assim "sesse", que "foria"
de quem goza todo dia
numa cama de hospital?


http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/brasil/glauco_mattoso.html