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martes, 6 de marzo de 2012

6215.- GRAÇA PIRES

GRAÇA PIRES, ( PORTUGAL, Figueira da Foz , 22 de noviembre de 1946)  es una poeta portuguesa.
Se graduó en Historia en la Facultad de Artes, Universidad de Lisboa.
Publicó su primer libro en 1990, después de haber recibido el Premio Revelación de Poesía de la Asociación Portuguesa de Escritores.

Libros publicados:
Poemas. Lisboa: Vega, 1990
Outono: lugar frágil. Fânzeres: Junta de Freguesia da Vila de Fânzeres, 1993
Ortografia do olhar. Lisboa: Éter, 1996
Conjugar afectos. Lisboa: Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, 1997
Labirintos. Murça: Câmara Municipal de Murça, 1997
Reino da Lua. Lisboa: Escritor, 2002
Uma certa forma de errância. Vila Nova de Gaia: Ausência, 2003
Quando as estevas entraram no poema. Sintra: Câmara Municipal, 2005
Não sabia que a noite podia incendiar-se nos meus olhos. Ed. autor, 2007
Uma extensa mancha de sonhos. Fafe: Labirinto, 2008
O silêncio: lugar habitado. Fafe: Labirinto, 2009
A incidência da luz. Fafe: Labirinto, 2011

Premios recibidos:
Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, com Poemas (1988)
Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, com Labirintos (1993)
Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres, com Outono: lugar frágil (1993)
Prémio Nacional de Poesia 25 de Abril, com Ortografia do olhar (1995)
Grande Prémio Literário do I Ciclo Cultural Bancário do SBSI, com Conjugar afectos (1996)
Concurso Nacional de Poesia Fernão Magalhães Gonçalves, com Labirintos (1997).
Prémio Literário Maria Amália Vaz de Carvalho, com Uma certa forma de errância (2003)
Prémio Literário de Sintra Oliva Guerra, com Quando as estevas entraram no poema (2004)
Prémio Nacional Poeta Ruy Belo, da Câmara Municipal de Rio Maior, com o livro O silêncio: lugar habitado (2008)



BREVE ANTOLOGÍA DE A INCIDÊNCIA DA LUZ DE GRAÇA PIRES
 (traducción de Marta López Vilar)




Presa às marés, outras margens me circundam.
Procuro os teus braços.
Esgota-se em cada dia, lentamente,
a viagem do tempo que expõe a rigorosa
proa no vértice dos dias.
A densidade do sal partiu-me os remos
e entranhou-se-me nas veias como un tormento.
Tenho um barco parado a obstruir-me os lábios
colados à rugosidade dos mastros.
Procuro o teu rosto.


...




Presa de las mareas, otras márgenes me circundan.
Busco tus brazos.
Se agota cada día, lentamente,
el viaje del tiempo que muestra la exacta
proa en el vértice de los días.
La densidad de la sal rompió los remos
y como un castigo se me clavó en las venas.
Tengo un barco parado obstruyéndome los labios
pegados a la rugosidad de los mástiles.
Busco tu rostro.














Todas as palabras são adequadas
para evocar os dias para sempre agarrados
à cal da casa onde nascemos.
Quase nada sei a meu respeito
desse tempo tão claro em que as sombras
eram apenas a antecipação da noite.
Tento imitar aquela inocência
próxima da brancur dos lírios
e do frémito do rio abraçando o mar.
Torna-se difícil encontrar os sinais
sobreviventes da memória: a prata do chocolate
pacientemente alisada, as velas dos moinhos,
as cerejas carnudas, a roupa a corar sobre a erva,
a claridade das mãos da minha mãe
carregadas de tarefas e de presságios.


...




Todas las palabras son adecuadas
para evocar los días agarrados para siempre
a la cal de la casa donde nacimos.
Poco sé al respecto
de ese tiempo tan claro en que las sombras
eran tan sólo una anticipación de la noche.
Intento imitar aquella inocencia
próxima a la blancura de los lirios
y del rumor del río abrazando el mar.
Se hace difícil encontrar las señales
supervivientes de la memoria: el papel de plata del chocolate
pacientemente alisado, las velas de los molinos,
las cerezas carnosas, la ropa tiñéndose sobre la hierba,
la claridad de las manos de mi madre
cargadas de trabajos y presagios.
















Sei que junto a um cais as pedras são cúmplices
de remotas solidões no coração das âncoras.
Os mapas mais primitivos
e as recentes cartas de navegar não assinalam
a incidência da luz sobre as areias.
Talvez o vento tão íntimo das dunas
saiba onde se escondem os vultos
dos marinheiros quando os barcos
começam a afundar-se nos meus olhos.
Tal vez os gemidos do remo estilhaçado
nos punhos sejam a adaga sangrenta
hasteada em cemitérios
onde se escutam os sinos a rebate.
Talvez os aromas das violetas e dos círios
se misturem com a terra quando as anémonas
começam a despontar nos jardins
perfumando as mãos de pétalas e de fenos.


...




Sé que junto a un muelle las piedras son cómplices
de lejanas soledades en el corazón de las anclas.
Los mapas más antiguos
y las recientes cartas de navegación no señalan
la incidencia de la luz en las arenas.
Tal vez el viento tan íntimo de las dunas
sepa dónde se esconden los rostros
de los marineros cuando los barcos
comienzan a hundirse en sus ojos.
Tal vez los gemidos del remo astillado
en los puños sean la daga sangrienta
alzada en cementerios
donde se escuchan las campanas a rebato.
Tal vez el aroma de las violetas y los cirios
se mezcle con la tierra cuando las anémonas
comienzan a despuntar en los jardines
perfumando las manos de pétalos y heno.